Inclusive pra mim. Uma menina. Esperada, planejada e amada. Certamente, a chegada de um bebê é a alegria da família. O comentário do ano.
Até a criança crescer e chegar na temida fase. A juventude.
Nos primeiros anos tudo são flores, né? Os primeiros passinhos, primeiros dentinhos, primeiras palavras, primeiro dia na escola. A criança sempre sendo apreciada, amada em tudo o que faz.
Todos os problemas são escondidos e tudo está sempre bem. Existem sempre as pessoas "boas" e as pessoas "ruins". Enquanto se é criança é preciso acreditar nos outros, acreditar somente no que te é imposto ou numa realidade, digamos, maquiada.
E então... Eu cresci. Dizem que é a lei natural da vida!
Crescer é interessante, cada descoberta nova, gente nova, sensações novas. "Independência"? É, pode ser... A medida que se cresce, as máscaras de todos ao redor vão caindo e a criança de antes começa a descobrir que a maquiagem está sendo lavada. Tudo, porque a menina começou a pensar, a ter personalidade e usar uma temida palavra: "porquê?".
É aí que começam as dores. Dores terríveis, de não poder ter quem você mais quer por perto, e acreditando numa realidade criada por outros.
Chega a adolescência, no meu caso, bem tardia. Comecei a descobrir meus próprios gostos e pôr em prática a minha personalidade. Sendo criticada, como sempre são os que têm pensamento próprio. Não sabia quem eu era, o que queria, o que sabia fazer, talento? O que é isso? Eu tinha algum? Crises e mais crises de identidade. Psicólogos, terapeutas e etc. Tudo com a intenção de suprir uma necessidade que eles me privaram - o carinho - tive mãe, mas não a minha mãe. A mulher que me criou, uma mulher forte, que me deu uma educação incrível. Devo tudo a ela, e não a culpo de nada. Os culpados são outros, e eles sabem quem são.
A MINHA LUZ, MINHA ESTRELA BRILHAVA - O TALENTO ME CHAMA
O período de turbulência chegou, longos dias. Doídos dias. Me refugiei em coisas momentâneas. Prazeres que ali, na hora, faziam com que eu esquecesse de tudo. Álcool, cigarros, saídas constantes. Cheguei no fundo, não sei como não me envolvi com coisas sérias. Minha cabeça foi resistente, SORTE.
Em meio a tantos problemas, tantas besteiras feitas, ela estava lá. Me dando forças, e me estendendo a mão pra me ajudar a sair daquele poço escuro em que eu me enfiara. Enfim eu podia tê-la ao meu lado, e abraçá-la, como nunca havia feito antes. Minha mãe. Demorou, mas chegou o dia em que tudo se acertou.
A partir daí tinha minha mãe e meus amigos. Verdadeiros amigos, pelos quais hoje sou muito grata e sempre serei. Começara pra mim uma nova fase. Novas portas foram abertas, novas oportunidades. Juntamente com essas novidades veio o reconhecimento - agora já tinha ciência das minhas qualidades e do meu talento.
Por um momento enrijeci, endureci. Virei uma pessoa carrasca, rígida, quiçá severa demais. Tive que me tornar assim, foi melhor. Mas mudei, tive motivos pra enxergar que ser assim só faz com que as pessoas sintam medo de mim. Eu tinha tudo, mas não tinha nada. Me sentia incompleta, mas não sabia o porque.
Até que chegou a minha resposta, a peça do quebra-cabeça que faltava. Depois, um mix de sensações me tomaram. Ele havia chegado, meus anjos protetores demoraram pra colocá-lo na minha vida. Talvez não estivesse preparada pra tê-lo. Problemas diversos enfrentamos, mas tudo ficou bem no final. Agora, me atenho e preservo tudo o que tenho e que conquistei com tanto esforço, dedicação e suor. Me declaro feliz e totalmente completa. Me declaro uma aprendiz. Não tenho vergonha de assumir que pouco sei. Mas continuo numa busca incessante, numa ânsia de querer sempre buscar mais, aprender mais.
Sou poeta, sou batalhadora, sou Martha Cavalcante.